Brasil realiza primeiros testes de conexão direta entre satélite e celular garantindo maior cobertura
- Otto Marinho
- 22 de mar.
- 2 min de leitura
A tecnologia Direct-to-Device (D2D) foi testada em São Luís (MA) com celulares comuns e satélites de órbita baixa; iniciativa visa ampliar a cobertura em áreas remotas e garantir sinal em emergências

O Brasil realizou com sucesso os primeiros testes da tecnologia Direct-to-Device (D2D), que permite que satélites se conectem diretamente a smartphones comuns, em território nacional. A operação foi conduzida pela operadora Claro, com suporte técnico da empresa americana Lynk Global, e acompanhamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Os testes de conexão aconteceram em São Luís, no Maranhão, e envolveram chamadas de voz e envio de mensagens SMS utilizando celulares convencionais como o Moto G4 Plus, Galaxy S22 e iPhone 13. Nenhum dos aparelhos precisou de modificações no hardware ou software para se conectar aos seis satélites não-geoestacionários utilizados no experimento, segundo informou o portal Tecnoblog em matéria publicada em março de 2025.
A conexão com o satélite foi feita por meio da faixa de frequência 850 MHz, autorizada em caráter experimental por meio do Sandbox Regulatório da Anatel, que flexibiliza regras temporariamente para fomentar inovações. O órgão regulador publicou uma nota oficial destacando que a iniciativa busca levar acesso móvel a regiões remotas e áreas sem cobertura de torres de celular.
De acordo com o conselheiro Alexandre Freire, da Anatel, essa tecnologia “tem potencial para transformar a inclusão digital no país, fornecendo sinal em comunidades ribeirinhas, zonas rurais e até em situações de emergência”. A declaração foi registrada no portal oficial do governo federal após a conclusão dos testes.
Chamadas de voz e SMS com estabilidade
Durante os testes, os dispositivos foram capazes de realizar chamadas de até 30 segundos com clareza e enviar mensagens de texto com sucesso, conforme detalhado pelo Tecnoblog. A infraestrutura da Lynk Global utilizou satélites de órbita baixa (LEO), que reduzem a latência e permitem conexões mais eficientes.
A grande vantagem dessa tecnologia é que não exige nenhuma antena externa ou configuração específica nos celulares. O sinal de rede aparece diretamente na barra de notificações do dispositivo, como se fosse uma torre de celular tradicional.
Lançamento comercial
Apesar dos resultados positivos, ainda não há uma data definida para o lançamento comercial da tecnologia D2D no Brasil. A Anatel afirmou que continuará acompanhando os testes e avaliará a viabilidade técnica e regulatória da implantação em larga escala. A expectativa é que, futuramente, o sistema também possa oferecer acesso à internet via dados móveis, além de chamadas e SMS.
Segundo o site do governo federal, o Sandbox Regulatório segue em vigor até o fim de 2025, permitindo que outras operadoras e empresas do setor também participem de testes semelhantes com o satélite. A tecnologia pode ser uma aliada importante para aumentar a resiliência da comunicação em tragédias naturais, quedas de energia e áreas de risco, especialmente na região Norte do Brasil.
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