Bioeconomia pode injetar R$ 816 milhões no PIB do Pará e gerar 6,6 mil empregos
- Jaelta Souza
- 26 de mar.
- 2 min de leitura
Investimentos no setor podem transformar a economia do estado e impulsionar o desenvolvimento sustentável

A bioeconomia tem o potencial de revolucionar a economia paraense, impulsionando o crescimento econômico e gerando oportunidades para milhares de trabalhadores. Um novo estudo divulgado nesta semana pela WRI Brasil, aponta que o Pará pode adicionar R$ 816 milhões ao seu Produto Interno Bruto (PIB) e criar 6,6 mil empregos por meio de investimentos estratégicos na bioeconomia.
Além disso, a arrecadação fiscal pode aumentar em R$ 44 milhões, e a massa salarial movimentada chegaria a R$ 135 milhões.
O levantamento, intitulado Impactos econômicos de investimento em bioeconomia no Pará, foi apresentado em um webinar gratuito no dia 25 de março de 2025, reunindo especialistas, investidores e gestores públicos para discutir os desafios e oportunidades desse setor promissor.
Bioeconomia: crescimento sustentável e geração de riqueza
A bioeconomia é um modelo econômico que valoriza os recursos naturais de forma sustentável, promovendo o uso racional da floresta em pé e fortalecendo cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade. O estudo analisou 13 produtos desse setor no Pará, incluindo açaí, castanha-do-pará, borracha de seringueira, mel de abelhas nativas e cupuaçu.
De acordo com os pesquisadores, cada real investido na bioeconomia tem um impacto multiplicador significativo na economia:
• R$ 1,00 investido na produção de matéria-prima gera R$ 1,14 no PIB;
• R$ 1,00 investido na industrialização de produtos retorna R$ 1,27;
• R$ 1,00 investido na comercialização pode render até R$ 1,40.
Esses números demonstram o enorme potencial econômico do setor, que pode ser uma alternativa viável ao modelo tradicional de exploração da Amazônia, muitas vezes marcado pela degradação ambiental e concentração de renda.
Oportunidades e desafios para o setor no Pará
O estudo também identificou alguns gargalos que ainda limitam o crescimento da bioeconomia no estado. Entre os principais desafios estão:
• Infraestrutura logística deficiente, dificultando o escoamento da produção;
• Falta de um ambiente regulatório adaptado, prejudicando a comercialização de produtos da sociobiodiversidade;
• Dificuldade de acesso ao crédito para pequenos produtores e comunidades tradicionais;
• Risco de impactos negativos em territórios indígenas e quilombolas devido a projetos voltados para exportação.
Para Rafael Feltran-Barbieri, economista sênior do WRI Brasil, o Pará tem um ambiente institucional favorável para expandir sua bioeconomia.
“O estado conta com políticas como o Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio-PA), o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN-PA) e o Programa Territórios Sustentáveis (PTS), que podem impulsionar esse crescimento”, afirma.
COP 30 e a bioeconomia como vitrine global
Com a realização da COP 30 em Belém, em 2025, a bioeconomia do Pará ganha ainda mais relevância. O evento reunirá líderes globais e tomadores de decisão, criando um ambiente favorável para a atração de novos investimentos.
Além de destacar as potencialidades do estado, a conferência pode deixar um legado duradouro para as futuras gerações, consolidando a bioeconomia como um pilar do desenvolvimento sustentável na região.
O estudo completo pode ser acessado no site do WRI Brasil, onde estão detalhadas as informações sobre os impactos econômicos da bioeconomia no Pará e as estratégias para seu fortalecimento.
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